segunda-feira, março 23, 2009

Blog Joint: Utilizando o que já temos

Recentemente, teve este blog a oportunidade de se regozijar com essa belíssima iniciativa que é o KoneKta. Algo que, justamente, a mais de outras virtudes, lança-nos na re-descoberta das praças como locais de encontro, de intercâmbio, de navegação também.
Pois que a verdade é que fomos perdendo as praças. E a elas a nós.
O caso da da Praia é paradigmático.
Adiante.
Ora, se formos fazer um levantamento de espaços públicos aproveitáveis para fins culturais, desportivos e outros que decorram, por exemplo, de agendas do associativismo, certamente que acabaremos por ter um bom pacote deles. Alguns já terão sido utilizados nesse contexto, outros nunca, outros estarão fechados, seja porque carecem de obras, seja por mero desleixo.
Desde este ângulo da utilização (melhor: da possiblidade de ser utilizado), certamente que há espaços adormecidos, assim como que à espera de algum toque que os faça estremecer. Ano vai, ano vem.

Dir-se-ia que, neste capítulo, há um deficit de criatividade ou, o que vai dar ao mesmo, uma excessiva inércia.
Um facto deve ser saudado: após tantos anos aí fechado (inaugurada que foi a chamada fase I), o edifício da Antiga Capitania (Museu do Mar?) acabou por abrir as suas portas, acolhendo, ao que parece com grande sucesso, uma exposição da Artista Luísa Queirós.
Mas, e meramente a título exemplificativo, pergunto: quantos átrios de instituições públicas terão já acolhido manifestações culturais? Algo assim como exposições, concertos, apresentação de livros ou discos, palestras...
Lembro-me de que, aquando da sua inauguração, o Palácio das Comunidades, aí na ASA, foi “entregue” à comunidade local, numa perspectiva de interacção. Tem isso acontecido? Tem essa zona tido algum benefício (retorno cultural, por exemplo) do facto de ter essa instituição aí no seu seio?
Quem é que ainda se recorda de que a ópera Crioulo (que no próximo dia 27 subirá aos palcos do CCB, em Lisboa) teve a sua primeira versão apresentada na Rua de Lisboa, no Mindelo, e no largo do Memorial a Amílcar Cabral, na Praia? Isto em 2003, salvo erro. Estive nessas duas circunstâncias e vi que essas duas grandes salas se portaram lindamente.
Estarão já esquecidos os tempos áureos do Parque 5 de Julho? Por certo, a primeira experiência de um grande espaço multi-funcional naquele Cabo Verde ainda bastante jovem. Será assim tão complicado dar vida a esse magnífico património (relativamente) abandonado?
E pego neste ponto para dizer o seguinte: porventura a pedra-de-toque de um novo tempo na utilização dos espaços públicos pertença aos cidadãos. Às organizações em que eles estejam congregados. Enquanto titulares de verdadeiras agendas de animação (cultural, desportiva, cívica...).
Os Municípios farão a diferença na medida em que souberem estabelecer pontes com essa Cidadania ávida de animação, ou, se se preferir, de saudável ocupação dos tempos livres. Ávida e disponível, cabe aditar.
Certamente que há o outro lado da moeda. O Chefe, Chefinho ou Chefão de serviço ou plantão tem de estar culturalmente sintonizado com esse dever de disponibilização do património público. Dizendo melhor: enriquecimento do património público pela via de utilizações outras, se calhar não muito óbvias logo à primeira. E o que digo sobre a sintonia cultural também vale para outros domínios, pois com certeza.
Mas mais: tendo o Estado vindo a ceder edíficos públicos a determinadas instituições, cumpre estar atento e ir perguntando se estas vêm devolvendo algo à comunidade nacional. Ou se as portas estão trancadas. Trancas por trancas, ficam as chaves com o Estado. Ou este há-de entregá-las a outros que façam por merecê-las.
Penso que o caso da Fundação Amílcar Cabral é meritório e deve ser louvado.

Penso ainda que há decisões que deveriam ser re-ponderadas. Caso do Quartel Jaime Mota. Continuo a entender que, neste particular, o interesse cultural deveria (deve) falar mais alto, em benefício do Museu Nacional que para aí chegou a estar projectado. Será já tarde para emendar a mão? É evidente que é preciso fincar o pé, fazer barulho.
Quanto mais me detenho sobre este tipo de assuntos, mais me convenço de que vivemos de tal forma um tempo de sanha por valores (mais) palpáveis que o barulho por certos sectores (Cultura e Desportos à cabeça) tem de ser mesmo barulho. Ou seja, a reacção institucional-pública em favor desses sectores está ainda longe de ser algo, digamos, automático, natural. Convenhamos: há ainda muitas paredonas por arrombar.

2 comentários:

menelik disse...

txeu anu atras tinha un site di fundason cabral. kuze ki kontise ku'el?

n ta lembra ma 'el era repletu di rekursu ma e dezaparsi di net, pelu menu di nha radar.

jt disse...

Pa tchiga na site di FAC:
http://blogfac.wordpress.com/