Segunda-feira, Agosto 17, 2009

1 Arctic no Atlântico

Felizmente, o Arctic Sea foi hoje localizado, pondo assim termo à angústia, ao nervosismo e às especulações que já iam crescendo. Os 15 tripulantes estão bem e vão viajar para a Rússia, sua terra natal. Um ponto importa sublinhar: encontrado a 300 milhas náuticas a Sul de Cabo Verde, o navio estava, por conseguinte, bem longe dos domínios cabo-verdianos.
Ao que parece foi considerável o dispositivo mobilizado para a busca deste cargueiro que por bastante tempo esteve sumido.
E, para lá disso, a sensação de que há aspectos nesta história que não estão muito claros, mas isto já são outros (mil e) quinhentos.

Domingo, Agosto 16, 2009

9:58

Com o novo record mundial nos 100 m, Usain Bolt torna indiscutível o seu estatuto de Homem Mais Rápido do Planeta. Na verdade, Bolt Legend.
Aliás, toda a equipa atlética jamaicana tem sido simplesmente impecável. Como já o tinha sido em Pequim, por exemplo. A excelência com aquele toque próprio das ilhas.
Permito-lhe usufruir da alegria dos meus amigos da Jamaica, a começar pela sua mui distinta Embaixadora em Berlim. Bravo!
Foto deste Blog.

Sábado, Agosto 15, 2009

O cão da discórdia

Rokaya Sadat, filha do antigo presidente do Egipto, Anwar El Sadat (assasinado em 1981. Na foto), não está para meias-medidas e acaba de processar os produtores do filme “I love you man”. É que nesta recentíssima película (DreamWorks, 2009) há um cão que tem precisamente o nome do antigo Chefe de Estado egípcio. Não vi o filme, mas, pelo trailer, vê-se que essa, digamos, homonímia não aconteceu por distracção. A velha história dos limites... A ver vamos até onde irá este mais recente “choque”.
Pessoalmente, cresci num tempo em que os nomes dos cães não variavam muito. Piloto, Sartana, Bobby, Trinitá... Agora tenho um cujo nome vem nessa linha: Rex.

Sexta-feira, Agosto 14, 2009

A visita de Hillary. E a listinha

O primeiro ministro José Maria Neves tem todas as razões para sorrir. Assim também a generalidade dos cabo-verdianos. A visita de Hillary Clinton foi, a todos os títulos, um sucesso. Os elogios (as palavras de reconhecimento, melhor) que ela fez questão de exprimir foram “música para os nossos ouvidos”, para utilizar a expressão que ela própria utilizou para sublinhar o agrado com que ouviu os relatos sobre os ganhos de Cabo Verde.
Um aspecto apenas desejo destacar. Disse a Senhora Clinton que, dos sete países por ela visitados, o nosso é o único onde a lista de coisas boas é maior do que a da coisas menos boas. Bravo! É excelente ouvir isso. Agora, como é sempre bom gerir o estado de (auto) contentamento, convem agora reflectir sobre essa tal pequena lista de aspectos negativos. Certamente que eles foram abordados à porta fechada, não sendo todavia difícil imaginar o que é que está em causa. Uma listinha de things to do, afinal.
Que hoje foi um grande dia, lá isso ninguém pode, com seriedade, negar.
E, claro, há já algum tempo que não via Hillary Clinton tão radiante. Mais uma amiga das ilhas? Tudo indica que sim.

Quinta-feira, Agosto 13, 2009

Os Yaam de Bolt



Os ténis especialmente feitos para Usain Bolt usar nos Campeonatos Mundiais de Atletismo de Berlim – 2009 (14 a 25 deste Agosto) chamam-se YAAM, justamente em homenagem a uma especialidade culinária jamaicana que é a preferida de Usain.
A sessão em que se fez, esta tarde, a apresentação desses ténis foram assim uma oportunidade para o Homem Mais Rápido do Planeta dar mostras da sua grande tranquilidade e modéstia. Bali!
Fotos deste Blog.

Segunda-feira, Agosto 10, 2009

Hillary nas ilhas

Se bem interpreto, ao eleger Cabo Verde como o país por onde fecha o seu périplo africano, a Secretária de Estado americana andou bem avisada. Ou seja, um périplo que tem sido bem sucedido e que vai assim terminar da melhor forma. Do leque de países contemplados, Cabo Verde é porventura aquele que está mais à vontade relativamente ao essencial dos temas transversais da agenda que tem guiado esta prolongada viagem de Hillary Clinton. Direitos Humanos, Boa Governação e Desenvolvimento, Estabilidade e Estado de Direito, luta contra a Corrupção.
Temas que, aliás, desdobram o objectivo desta missão africana da Senhora Clinton: “demonstrar o engajamento dos Estados Unidos numa Parceria com a África que se baseie na responsabilidade e no respeito mútuos” (conforme um Comunicado do Departamento de Estado).
Na parte que nos cabe, e descontada essa nossa patética mania de fazer pequenas guerrilhas em torno de matérias de interesse nacional, esta próxima visita da Chefe da Diplomacia dos Estados Unidos reveste-se de uma enorme importância. No plano das relações bilaterais e do que, a este nível, eventualmente caia na lógica do interesse nacional americano, mas igualmente para o nosso leverage na arena internacional. O essencial do que possa acontecer em seguida dependerá em muito de nós mesmos.
Para todos os efeitos, Cabo Verde fica associado ao lançamento do road map com o qual a Administração Obama sublinha a prioridade que atribui à África. Lançamento esse iniciado pelo próprio presidente Barack Obama, com a sua primeira e ainda muito recente deslocação ao continente, e agora empurrado mais além pela sua Secretária de Estado, Hillary Clinton.
De resto, como que nos é feito um convite para olhar mais para fora. Ser mais ousados. Fazer valer os créditos que decorrem do espantoso percurso cabo-verdiano nestes trinta e quatro anos de Independência.
E este é um ponto que tenho referido desde há muito, designadamente, e muito a título de exemplo, no que toca ao nosso desempenho em matéria de Direitos Humanos. De algum modo, até parece que nos deixamos tolher por uma excessiva modéstia.
Por certo que tal tem também a ver com um re-desenho do nosso tabuleiro diplomático, mas isto são contas de um outro rosário.
Retomando o fio, não é todos os dias que as ilhas recebem uma visitante de tão elevado nível. Pelo cargo que ocupa, pela concretíssima Administração que representa, mas também por aquilo que Hillary Clinton é: uma figura política de primeiríssima água.
(Ainda há pouco vi a prestação dela no GPS de Fareed Zakaria, edição especial a partir de Nairobi).
Saibamos recebê-la!
Quanto ao mais (ao menos, melhor), convenhamos, é compreensível a ciumeira que anda aí pela vizinhança...