sábado, fevereiro 20, 2010

Bróder

Tive, na passada Quarta-feira, o prazer de estar na estreia do filme brasileiro Bróder. Julgo que se trata de uma obra que introduz, no que ao registo cinematográfico se refere, uma nova forma de tratar a problemática das zonas pobres (favelas, se se quiser), e designadamente a questão da violência no seio delas ou em torno delas. Como bem referiram o Realizador Jeferson De (um jovem negro, repare-se porque se trata de um dado importante) e alguns elementos do elenco durante o breve bate-papo no final da sessão, o filme constitui “um olhar de dentro”. Não já a violência cruamente exposta no seu estendal de tiroteios, de vítimas e de sangue, mas o drama das pessoas, das famílias, das relações interpessoais (de amizade, desde logo) e de poder (de facto, real) num ambiente em que a violência, afinal, é omnipresente. Por vezes silenciosa apenas, mas tentacular. O cenário geral, já se sabe, é o da pobreza. E, nesse preciso cenário, é notável o desempenho da grande Artista que é Cássia Kiss (na foto com Jeferson De e o actor Caio Blat), enquanto baluarte dessa dignidade e desse sentido de valores que a violência deixa sitiados.
E é bom que tenha sido devidamente sublinhada a contribuição dos moradores de Capão Redondo. Aliás, um dos principais protagonistas (o actor Du Bronks) é mesmo originário dessa localidade do Sul de São Paulo.
Plenamente justificada, por conseguinte, a emoção do Realizador, dos Actores, dos produtores. Aliás, nessa noite da estreia todos viram o “produto final” pela primeira vez, tal o ritmo com que tiveram de trabalhar para que o filme estivesse presente na Berlinale. Chapeau!


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