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domingo, agosto 17, 2008

Falou e disse

“Costumo dizer que os portugueses são necessariamente mais ciosos da língua do que os povos da colonização e da diáspora, que criaram variações da língua e chegaram quase a produzir outras línguas. Como dizia uma canção brasileira, «o brasileiro já passou para lá do português», nós no Brasil já somos factores dinâmicos de transformação da língua portuguesa, por isso não nos preocupamos tanto com a língua no sentido das suas matrizes, dos seus elementos básicos e históricos. As línguas são organismos vivos, corpos dinâmicos que têm sistemas de absorção e de eliminação e que estão em constante transformação. Os acordos ortográficos deveriam ser perenes e estar submetidos a uma permanente vigília da língua, através de um conselho permanente, com ampla representação de especialistas e também de pessoas comuns. É preciso que todos nós estejamos atentos aos impactos das novas tecnologias na língua, como a Internet. Essa atenção não pode ser dada simplesmente sentado muito formalmente e circunspectamente em torno das mesas. É preciso que as considerações que façamos sobre as línguas sejam leves. A língua é uma coisa séria, mas também não é. A língua é tudo, é todo o arsenal de meios para a comunicação. A língua é muito mais do que uma simples escrita, do que uma maneira de falar. A língua é uma coisa muito grande, muito ampla. A língua inclui o próprio silêncio.”
Gilberto Gil
em entrevista ao Expresso (Suplemento Actual), 15 de Agosto de 2008.

segunda-feira, agosto 04, 2008

Sem maca

É importante que já haja um Dicionário da Língua Portuguesa que tem em conta o Acordo Ortográfico. Mesmo para quem, como eu, nunca teve muita paciência para dicionários, é reconfortante saber que está à mão um tal tipo de suporte na passagem da acção para a ação, na escolha entre subtil e sutil, ou entre secção e seção, ou entre acepção e aceção, sendo certo que a redação, essa, passa a ser mesmo assim. Não se trata de nenhuma rutura, senão que de um novo desafio que só poderá trazer ganhos a esta língua de milhões de utentes. Que as línguas vivem e fortalecem-se com os desafios. Assim me parece. De resto, basta ver a força da nossa crioulíssma contribuição. Alguns exemplos de entradas: camoca, cimboa, escloque, funaná, guarda-cabeça, morabeza, morada, plia, riola...