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quinta-feira, março 17, 2011

Cabo Verde 2016

Caso para dizer que se trata da “governação em diálogo” no seu melhor: o Primeiro Ministro indigitado, Dr. José Maria Neves, acaba de lançar uma plataforma online para recolher, da generalidade dos cidadãos, subsídios para... o Programa do Governo. Trata-se de um very first entre nós. Um Novo Futuro: Cabo Verde 2016, tal o nome do site. A base para este diálogo é o programa eleitoral Mais Cabo Verde que o PAICV propos ao cabo-verdianos e foi sufragado nas Eleições Legislativas do passado dia 6 de Fevereiro. Tudo indica que esta nova experiência irá trazer enriquecimentos para o programa de governação  2011/2016 que o Chefe do Governo terá de apresentar ao Parlamento. Ou de como não é todos os dias que a generalidade dos cidadãos pode ter o ensejo de colocar a sua marca no Programa do Governo. Inch`Allah a moda pegue!...

sábado, fevereiro 27, 2010

Mecenato: mais um ponto

A regulamentação do Mecenato na área social acaba de ser aprovada pelo Governo. Trata-se de uma muito boa notícia (ver aqui). De recordar que o regime geral em vigor foi adoptado em 2004 (Lei 45/VI/2004, de 12 de Julho), tendo imediatamente sido regulamentado para os domínios cultural e desportivo. Seja como for, esses ganhos no plano legislativo necessitam, para que possam produzir a pluralidade de efeitos positivos que têm em vista, de uma forte aposta em termos de divulgação/ sensibilização. Pois que o Mecenato não é ainda uma prática comum entre nós ou um comportamento que ocorra com toda a naturalidade. Sublinho o ainda.
Este tema já foi abordado, neste blog, a 7 de Agosto de 2008.

segunda-feira, maio 18, 2009

Blog Joint: O risco de ficar à margem ou fora da rede

A luta pela info-inclusão é uma das muitas que animam a actualidade. A internacional e a dos diferentes países (aqui, com intesidades diferenciadas, é evidente).
No nosso caso, felizmente, estamos em condições de conceder a atenção devida a esta problemática. Porque já estamos (relativamente) avançados em relação a aspectos que são como que “condições prévias”. Por exemplo: a Educação e a infraestruturação pertinente para este efeito.
Importa que os ganhos em matéria de Educação não definhem num como que analfabetismo no mundo digital de hoje e importa que esses investimentos (públicos) nas infraestruturas se multipliquem em benefícios reais para um cada vez maior número de cidadãos. Se universalizem, ao fim e ao cabo.
Ou seja, importa que esta tal sociedade digital(izada), onde, aliás, tudo vai acontecedo a uma velocidade crescente, não seja uma miragem para muitos de nós. A maioria, ainda. Infelizmente.
Dito de outro modo, o desafio de fundo é o de fazer com que a conectividade ou a possibilidade de usufruir das vantagens da sociedade da informação (nesta medida, a capacidade de ser, a tempo inteiro, cidadão dos dias de hoje) não seja um privilégio ou um benefício restrito. Que é como quem diz, as cartas não podem (não devem) estar marcadas.
E ai de nós se pensarmos que isto é tão-só uma questão de mercado. De “compra quem pode”.
Bem pelo contrário, a info-inclusão está intrinsecamente ligada ao entendimento que tivermos do que deva ser a nossa sociedade desde o ângulo da solidariedade social ou da inclusão, globalmente considerada. Caso não, estaremos a contornar ou a “empurrar com a barriga” uma assimetria mais, para além, por conseguinte, das que já vêm de mais longe.
Os diversos, se assim posso dizer, e-ganhos ou e-avanços (que eles existem!) têm de poder contar com avanços, igualmente, no plano da universalização do acesso. Viçosa que seja a árvore, ela não pode (não deve) adormecer o interesse pela floresta.
Ora bem. Info-inclusão vs pobreza – qual é, digamos, a sincronização possível?
Basta isto para ver que o calcanhar pode estar descoberto.
Voltando ao ponto de arranque: seria bom intensificar os sinais de que estamos, na verdade, a conceder toda a atenção a esta temática.
Seria bom ver a mão do Estado. Por exemplo, no sentido da facilitação do acesso nas instituições (vg, de ensino, de estudo e investigação) e no da redução dos custos do acesso privado (em casa, maxime).
Ainda me lembro do excelente acolhimento que teve, junto de estudantes e professores, a medida de facilitação do acesso à internet na Biblioteca Nacional. Isto em 2002 ou 2003. Um caso que deveria ser tido em conta.
Seria bom que, no plano da cidadania, crescesse uma verdadeira reivindicação dessa tal universalização. Fintando o egoísmo social que tende a existir na gestão deste tipo de questões. Aliás, devo acreditar que esta (a luta pela info-inclusão) é uma bandeira da juventude ou, pelo menos, daquela que esteja mais ligada às chamadas causas.
Concluindo estas minhas notas, creio que há um caminho que não está a ser explorado. Refiro-me ao “Mecenato para a Sociedade de Informação”. Seria bom que a lei de 2004 não fosse, neste particular, letra morta. Letra excluída, melhor.
Participam neste debate os seguintes confrades:
Bianda, Ku Frontalidadi, Tetrakacia, Cafe Margoso, Geração 20J73, Blogue di Nhu Naxu, Tempo de Lobos, Pedrabika, O Jornal da Hiena, Nos Blogue.

sexta-feira, março 06, 2009

terça-feira, março 03, 2009

Gangs

Recordando o recente debate do Blog Joint sobre a segurança (e, desde logo, os aspectos relativos à criminalidade urbana), um livro que vale bem a pena ler. De resto, a leitura é prazenteira.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Perguntar não ofende

Quando é que teremos um governante crioulo na Blogosfera? Ou será que já há? Espero que este não seja algo pa spera xintadu.
À prepósito, vale bem a pena ler o texto “Paremos la masacre del pueblo palestino” que Bibiana Aído, Ministra da Igualdade da Espanha, publicou no seu blog Amanece en Cádiz.
Imagem: À espera de Godot.

sábado, janeiro 10, 2009

Dando notas às Democracias

Naturalmente que constitui motivo de satisfação o modo como o nosso país vem avaliado no Democracy Index 2008 do Economist Intelligence Unit. Tal Index apresenta-se assim como uma espécie de ordenação ou ranking dos países desde o ângulo da democracia. Ou melhor, uma avaliação de como a democracia se vai, ou não, entrando e afirmando em diferentes países, pois que o olhar é lançado mesmo sobre os chamados regimes autoritários. Aliás, e no que se refere ao processo de democratização, os próprios autores do estudo concluem que, no geral, há uma estagnação. Ora bem. Cabo Verde aparece na 34ª posição, o que, num universo de 167 casos avaliados, é bem bom. Agora, a minha questão é um pouco outra. Visto em pormenor o Index, pergunto: não poderíamos estar em melhor forma? O pelotão da frente é o das “full democracies”, e são 30. Nós estamos no segundo grupo, o das “flawed democracies” (imperfeitas; com falhas; defeituosas). Para uma fasquia de 10, temos um score global de 7.81. Desde logo, para tanto contribuem as baixas pontuações parcelares obtidas em matéria de “cultura política” (6.25) e de “participação política” (6.67). Ou muito me engano ou estes são domínios em que está perfeitamente ao nosso alcance fazer melhor. Mas, porventura esse é o lado mais estimulante de tal sorte de estudos: servir de alertas. Se os lermos com uma lógica de auto-contentamento ou de massagem para o ego colectivo, isso já será problema nosso.
Para o Index na íntegra,
aqui.

quarta-feira, julho 30, 2008

Na morte de Sança Gomes

1. Entristeceu-me imenso a notícia da morte de Sança Gomes. Por este modo, exprimo à família dele as minhas mais sentidas condolências.
2. Como se pudessemos dar-nos ao luxo de estar a desbaratar as pessoas-recursos das nossas comunidades locais e nacional!... Sança Gomes era uma dessas pessoas.
3. Acabei por contactar mais de perto com ele por causa das lides desportivas. Designadamente, admirei o entusiasmo dele com as coisas do Desporto e, em particular, o empenho com o processo de construção da sede social do Santa Maria. Pude visitar as obras e penso ter (nas funções que eu então exercia) despachado o apoio que se impunha, em tempo útil.
4. E esta descontracção com que vamos permitindo que as vidas humanas sejam assim, ingloriamente, brutalmente, ceifadas nas nossas estradas! Não é a primeira vez que exprimo a minha indignação a este respeito.
5. Evidentemente que tenho de aditar este pouco: cabe ao Estado agir para que os cidadãos percebam, de uma vez por todas, que as cartas de condução não são licenças para matar. Está mais do que provado que a civilidade e o dever de respeito para com a vida humana (nas estradas) não vão cair do céu. De onde que. Por certo que há uma importante margem para a intervenção de outros sujeitos, desde logo no plano da educação, mas o dever de agir por parte do Estado, esse, não pode nem deve ser alijado. Urgente é que não se instale a ideia de que existe alguma, aparente ou real, permissividade. Para não usar termo mais preciso.
Créditos pela foto: asemana online.

segunda-feira, julho 28, 2008

Melhoras para Filú

Felisberto Vieira (Filú), meu amigo de há longa data, saiu lesionado de um acidente de viação, na cidade da Praia, mas, felizmente, e é isto o que mais importa, está fora de perigo. Desejo-lhe rápida recuperação.

quarta-feira, julho 16, 2008

Brazão

Registo aqui o meu sentido adeus a Adriano Brazão de Almeida, hoje falecido. Cabo Verde perde um seu mui distinto filho. Um daqueles cidadãos de cepa que, bem à sua maneira, inscrevem a sua marca na urbe e indelevelmente conquistam o respeito e a estima de todos. À família dele as minhas sentidas condolências.
Curioso como agora me vieram à memória as peripécias que, ainda nos idos de oitenta, ele, o Olívio Correia e eu passámos no Aeroporto de Lagos para, passageiros já devidamente despachados, conseguirmos os “nossos” lugares num voo da Nigeria Airways para Dakar. Mas o conto volta atrás. A uns dois dias antes. Era a minha primeira ida a essa gigantesca metrópole africana e eles, já veteranos na zona, lá descobriram o hotel onde eu, funcionário caloiro, estava alojado e foram levaram-me as suas mantenhas. Gestos que marcam.

terça-feira, julho 08, 2008

Sobre a Bandeira da Independência

Nas visitas que faço à vizinhança, captou a minha atenção três posts feitos nesta maré das celebrações do Dia da Independência. Num deles, de PedraBika, vê-se a foto da troca das bandeiras, no primeiro 5 de Julho do resto das nossas vidas. A tal foto que tornou especial o Comandante Julinho Monteiro. Num outro blog, o Ku Frontalidadi, o post do dia 4 de Julho vem ilustrado com uma bem apanhada foto das duas bandeiras do Cabo Verde independente. O terceiro dos posts a que estou a fazer referência é de Son di Santiagu e diz-nos de como Djinho (não) viu a bandeira nessa que ele considera ser a nossa “data das datas”, bem como da “sugestão” dele para se chamar Scolari para nos animar neste capítulo.

Ora bem. Tanto bastou para que, porventura à despropósito, me viesse à memória um assunto discutido, conquanto de modo algo restrito, aqui há já algum tempo. Refiro-me a pertinência (ou não) de um regime particular para a Bandeira da Independência. Essa mesma que foi hasteada, aí no Estádio da Várzea, há 33 anos.

Terá este assunto sido discutido com mais gente? Terá alguém analisado todos os modis qui e timodis qui estritamente técnicos? Terá a generosidade de intentos sucumbido face ao mata-mata do PS3 político nacional? Será temerária a empreitada?


Não cabe aqui desenvolver ou justificar toda a carga histórica e simbólica que essa bandeira passou a transportar. A corporizar. O certo é que ela adquiriu uma dimensão insubstituível. Que não se consegue apagar. Apesar da forma como ela foi apeada da nossa realidade institucional. Abriu-se uma ferida que alguns esperam que o tempo cuide de sarar, enquanto outros se remetem a um silêncio compadecido ou acabrunhado. Mas ainda há outros, mais destemidos, a quem traz alegria a simples oportunidade de erguer a bandeira vermelha/verde/amarela no terraço das suas modestas casas. Só eles saberão o que custa ganhar uma bandeira? Só eles terão sido genuínos no carinho com que abraçaram essa bandeira?
Somos tão poucos para tantas feridas!
Porventura algum dia, com suficiente distanciamento, haveremos de apurar o quão violento tem sido a nossa história (política). E, pelos vistos, nessa linha se persistirá enquanto a vida política não se libertar de certas figuras-lastros com exemplares curricula nos domínios da violência (como instrumento da política). Enquanto não subirmos para um outro patamar, com elevação e tolerância, com respeito pelo adversário e com maiores níveis de “ingerência” por parte da sociedade civil.

Adiante.

Cabe recordar que, aquando do processo constitucional de 92, houve um Grupo de Cidadãos que endereçou ao Parlamento um Manifesto apelando à razoabilidade no tratamento dos Símbolos Nacionais. Pessoalmente, tive o ensejo de ser o redactor desse texto cujo manuscrito anda por aí entre algures e nenhures, mas no meio da minha papelada seguramente, pelo que, assim espero, terei a oportunidade de scaneá-lo cá para o blog. Para benefício de inventário. Ainda haverá quem se lembre desses episódios, embora vivamos num tempo de amnésias selectivas. O nosso vai sendo o arquipélago das amnésias, como já escrevi num outro contexto. O que de algum modo se compreende, porquanto nesses anos noventa houve muita boa gente que fraquejou nas canelas. Mas é bom ver que hoje em dia já estão com mais cálcio nas ditas. Até ao próximo susto, já se sabe.

Seria bom, parece-me, resolver esse problema da Bandeira da Independência. Dito de outro modo, urge desenterrá-la. Sem ufanismos desbragados, antes com orgulho e sentido de História. Urge que sejamos justos perante esse momento singular da nossa História, qual foi o 5 de Julho de 1975. E nada nem ninguém capta na completude esse momento melhor do que a Bandeira da Independência.

Não se trata de nenhum motim contra os Símbolos Nacionais democraticamente instituídos. Nada disso! E é evidente que não é disso que se trata. Trata-se de propor que sejam definidas e reguladas as circunstâncias (as solenidades) em que, nos planos nacional e local, seria legítima a utilização dessa que é, queira-se ou não, a Bandeira da Independência.

Por exemplo, nas sessões solenes no dia 5 de Julho.

De vez em quando (e é só de vez em quando, felizmente) parece que a razoabilidade não mora nas nossas redondezas... Que é como quem que diz: podemos ser razoáveis. Basta querer.

E é tempo de concluir. Ou muito me engano ou já estamos, enquanto Nação, maduros o suficiente para partir à conquistar desta, digamos, serenidade.

Não seria nenhuma originalidade nossa. Ainda que fosse! Como quer que seja, nunca me afligiu estar do lado dos que não têm razão. Melhor: do lado da razão em minoria. O que me permite dizer sempre o que penso.

E esta nossa mania de deixar (quase) tudo nas mãos dos Partidos!...

sábado, julho 05, 2008

Orgulho e Certeza

Cabo Verde: nos Orgulho, nos Certeza. Tal foi o lema, em 2005, das comemorações dos 30 anos da Independência Nacional. Lema forte, integralmente em crioulo e que tocou as pessoas. Captou o espírito do Cabo Verde de hoje. Não vejo nenhum obstáculo a que se continue a utilizar esse lema, aqui e acolá. Ele é um bom produto da criação e os bons produtos devem permanecer(1). Neste caso concreto, para lá do contexto que o justificou. De resto, neste nosso arquipélago doentiamente politizado, é tão raro conseguirmos traços-de-união que os que surgem deveriam ser ciosamente mantidos. Acarinhados. Orgulhosamente.
(1) E nem me consta que haja alguma disposição autoral a limitar a sua utilização. Pela generalidade dos interessados, da esfera pública e da privada. Porventura seria útil um texto-memória que fixasse o percurso que conduziu a esse lema.

quinta-feira, junho 26, 2008

Remessas

Este livro é importante para quem deseje ir percebendo as complexas linhas com que é tecida a nação cabo-verdiana. Tenho que as suas Recomendações deveriam ser seriamente tidas em conta.

quarta-feira, junho 11, 2008

Unidos pelo India Point Park

As autoridades de Providence têm em marcha sessões públicas de discussão sobre o futuro da marginal da cidade e os cabo-verdianos (ou seus descendentes) que sofreram com a expulsão de Fox Point estão a fazer ouvir a sua voz. Nessa localidade de Rhode Island vivia uma laboriosa e unida comunidade de emigrantes nossos cuja sorte veio a ser ditada pela construção de uma auto-estrada, a 195. Pelo menos quem tenha visto o filme Some Kind of Funny Porto Rican? A Capeverdean American Story (foi assunto, neste Blog, a 17 de Maio) percebe a razão de ser desta actual movimentação dos crioulos em defesa, concretamente, do India Point Park, o espaço comunitário onde, aliás, era tradição celebrar-se as festas do 5 de Julho. Mais pormenores aqui.

quinta-feira, junho 05, 2008

Roselma

ROSELMA ÉVORA é um dos dois contemplados com a Bolsa para Jovens Investigadores (edição de 2008) do CES - Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. Parece que é a primeira vez que este prémio chega às águas crioulas. Parabéns, Majestade! E, claro, isto é também mais um sinal, dos muitos que vamos tendo, da força com que a investigação, desde logo no domínio das sociais e humanas, está a crescer entre nós.