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segunda-feira, março 13, 2017

Svetlana

Em Minsk, cidade onde vive, Svetlana Alexievich, Prémio Nobel da Literatura 2015, foi entrevistada pelo jornal português EXPRESSO. O resultado é esta belíssima entrevista que se lê com profundo prazer. Com sofreguidão mesmo. Diz-nos ela: “Eu não sou historiadora. Tento escrever a história da alma humana”.
Amanhã, 14 de Março, a Autora de “Vozes da Utopia” fará a intervenção de abertura do Festival Literário da Madeira. O título dessa sua intervenção é, no mínimo, provocador: “Haverá algo mais assustador do que o homem?

Mas, neste Março das Mulheres, este breve respingo da entrevista: “Durante 40 anos, tudo isto ficou na sombra. Depois da guerra, os homens assumiram os louros da vitória. Ou seja, roubaram-na às mulheres, que sofreram tanto ou mais do que eles. Ao regressar à vida civil, elas encontraram uma sociedade onde havia poucos homens. Os ex-soldados eram vistos como heróis; mas as mulheres que combateram, não. Olhavam-nas com desconfiança. Chamavam-lhes coisas feias. Por isso, muitas delas ocultavam o facto de terem participado na guerra e até escondiam as medalhas, para poderem ter hipóteses de casar. Muitas fizeram-no por uma questão de sobrevivência. A sua historia ficou por contar durante décadas. E elas queriam contá-la, mas não havia ninguém para ouvir. Quando por fim me lancei à tarefa, nos anos 80, muitas delas disseram-me: “Por que demoraste tanto a vir ter comigo?


domingo, março 13, 2011

Amartya Sen em Coimbra

Amartya Sen, professor da Harvard e Nobel de Economia (de 1998), é, desde hoje, Doutor Honoris Causa pela Universidade de Coimbra. Como Apresentante teve António Guterres, antigo primeiro Ministro de Portugal e actual Alto Comissário das Nações Unidas para os Refugiados.
Entretanto, amanhã, dia 14, o Professor Sen participará no Simpósio Valores Humanos, Justiça e Economia Política que terá lugar no Auditório da Faculdade de Economia da UC.


O seu livro mais recente, The Idea of Justice, já tem ediçao em língua portuguesa, justamente com a Livraria Almedina, prestigiada editora de Coimbra.

segunda-feira, fevereiro 07, 2011

Algo está mal


Com este seu livro (cujo título original é “Ill Fares the Land”) Tony Judt (1948 – 2010) coloca-nos perante um leque de questionamentos e inquietações sobre as sociedades democráticas dos nossos dias, porventura assim um incontornável apelo à reflexão ou à (auto)avaliação especialmente por parte de quem, reclamando-se da Esquerda, acredite num conjunto de valores essenciais para a realização do bem comum e da Paz na comunidade internacional.

“Mesmo os intelectuais sucumbiram. A guerra do Iraque viu como a grande maioria dos comentaristas britânicos e dos Estados Unidos abandonavam toda a aparência de pensamento independente e alinhavam com o governo. A crítica ao exército e a quem ostenta a autoridade política – que sempre é mais difícil em tempos de guerra- tornou-se marginal e foi tratada quase como se fosse uma traição. Os intelectuais da europa continental tiveram mais liberdade para opor-se à pricipitada campanha, mas isto apenas porque os seus próprios líderes eram ambivalentes e as suas sociedades estavam divididas. O valor moral necessário para manter uma opinião própria e defendê-la perante uns leitores irritados ou uma audiência adversa continua a escassear-se por todo o lado.”

quarta-feira, março 10, 2010

Falou e disse

“Quer dizer que o ter uma cultura artística - e a cultura é diferente da arte - não é [tido como] fundamental. [Mas] é fundamental! Por exemplo, aqueles povos analfabetos, os povos "exóticos" ditos anteriormente "primitivos", têm uma arte e a arte tem uma "função" social imediata. Todos sabem o que é e como se utiliza uma máscara. É fundamental. Os objectos artísticos são fundamentais. Não são utilizados, apreciados e valorizados por uma pequeníssima comunidade ou grupo. Não! É a sociedade inteira. Isso passa e é formador da cabeça, da inteligência do mundo dessas sociedades. Entre nós, aquilo a que se está a assistir é a qualquer coisa que não se deve confundir com isso e que é - para empregar as palavras de um filósofo americano, o [Arthur] Danto - uma banalização, uma espécie de transformação do objecto artístico em objecto cultural, o que é terrível. Os movimentos contrários existem também, mas, na generalidade, o que se está a espalhar pelo mundo é uma espécie de "gadgetização" do objecto artístico. E com isso perde-se imenso.”

“O espaço público é um espaço formador. Há uma inteligência que passa no discurso e no comportamento público. Por isso há cidades inteligentes e cidades estúpidas. Há cidades em que se entra e dois meses depois é-se realmente mais inteligente. Paris é uma cidade inteligente - já foi mais, está por baixo, mas é uma cidade inteligente. Nova Iorque também. E não é porque há mais informação.”

“ Na formação da inteligência, múltipla nas suas expressões, há uma inteligência que só a arte nos dá e que é fundamental. Não é por acaso que tantos filósofos aproximam a ontologia, aquilo que é o nosso ser, da produção estética. Não é por acaso. É que isto é fundamental. Ora, numa cidade inteligente, a arte existe e o discurso artístico, a problemática artística atravessa esse espaço independentemente dos interlocutores, ganha autonomia, atinge as pessoas, incluindo os que não pensam nisso. Eu, que não sou artista, tenho uma cultura artística que vem daí. E isso é um espaço público. Um espaço que vibra, que é autónomo, em que não sou eu que falo, ele fala por si e atravessa o espaço real, as conversas habituais.”
Prof. Doutor José Gil
(em entrevista ao jornal Público.
Aqui)

Aos 71 anos de idade, o Professor deu hoje a sua Última Aula na Universidade Nova de Lisboa.

Alda

Alda Espírito Santo (1926-2010)
E vai-se uma grande Senhora...

domingo, março 07, 2010

You:de Dakar a Kingston

Este novo álbum de Youssou Ndour é claramente um acontecimento. Pelo tributo que presta a Bob Marley e ao Reggae e pela ponte que lança entre a Jamaica, o Senegal e a África em geral. Que entre essas duas bandas há um caminho comum que já vem de muito longe. You soube agora percorrê-lo através da música. A não perder!

Sobre o CD e outros temas, Youssou Ndour em entrevista aqui.

quinta-feira, março 04, 2010

Mariana em Würzburg

Mariana Ramos será a representante de Cabo Verde na vigésima segunda edição do Africa Festival, o maior festival europeu dedicado à música e culturas africanas. Como de hábito, o local é a cidade alemã de Würzburg. Nos palcos desse Festival já estiveram Lura, Mayra Andrade, Sara Tavares, Tcheca. Trata-se sempre de um evento com maiúsculas.

domingo, fevereiro 28, 2010

Urbaníssimas guerras

Ainda há coisa de um mês, foram notícia as inundações em Machu Picchu, no Peru. Lembro-me de como as imagens então divulgadas brigaram claramente com aquelas que eu tinha na memória e com a serenidade que, algures em 97, pude respirar aí nesse local excepcional que fica já lá mesmo à porta dos céus. Serenidade também na belíssima cidade de Cuzco, esse umbigo do antigo Império Inca. Mas já não em Lima, claramente. E é essa ideia de intranquilidade (ou dessa violência que contamina o ritmo mesmo de uma comunidade) que encontro agora retratada em algumas das páginas desta obra de Daniel Alarcón, escitor peruano. São dele estas palavras sibilinas: “En Lima, morir es el deporte local”.

sexta-feira, fevereiro 20, 2009

A Voz de Gorée

Só agora fiquei a saber que Joseph Ndiaye faleceu no passado dia 7. Tinha 86 anos e, enquanto Conservador da Casa dos Escravos, na Ilha de Gorée, foi a voz que emocionava quantos iam em visita a esse sítio de memória, de história, de dor.
Lembro-me que tive o ensejo de o convidar a vir a Cabo Verde e que o então Ministro da Cultura Amadou Tidiane Wone fez as articulações para que tal acontecesse durante a Semana da Cultura do Senegal, em 2003. Infelizmente, Ndiaye adoeceu nas vésperas e já não conseguiu empreender viagem.
Todos lamentámos que ele não tivesse podido vir conhecer a Cidade Velha. Terá tido outra oportunidade? Desconheço, mas espero bem que sim.
Agrada-me saber que, conforme palavras do Presidente Wade, Ndiaye será homenageado durante o Fesman, em Dezembro.


terça-feira, fevereiro 17, 2009

Fesman 2009

O Festival Mundial das Artes Negras decorrerá em Dezembro. No Senegal, mas não apenas: cidades de outros países vizinhos estarão associadas.
Tudo indica que o Fesman 2009 vai ser um acontecimento estrondoso e, tantos anos volvidos após a primeira edição, em 1966, sob o patrocínio do Presidente Senghor (Lagos acolheu, em 1977, a segunda e última edição), Dakar vai funcionar como o centro polarizador dessa extraordinária riqueza que se acolhe sob a designação Artes Negras. No que elas têm de tradicional e de moderno.
Renascimento Africano é o tema geral.
Do Brasil, dos Estados Unidos, das Caraíbas virá o testemunho da sua essencial herança africana – que, com o Festival, a África igualmente celebra a sua Diáspora!
Conhecendo um pouco do empenhamento com que as coisas da Cultura são tratadas nesse nosso país vizinho e do dinamismo da sua rede de instituições ligadas a este sector, acredito que tudo está a ser feito para que o Festival deixe marcas profundas: para os criadores culturais de todo o continente e para a (nova) imagem deste no mundo de hoje.

terça-feira, janeiro 13, 2009

Sarkozy cultural

Hoje, em Nîmes, ao formular os seus “Votos à Cultura”, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, apontou os eixos de uma forte aposta num sector que, aliás, é tradicionalmente pujante em França. Algumas das medidas anunciadas:
1. Gratuidade dos Museus e Monumentos para os jovens menores de 25 anos e para os professores;
2. Aposta na “excelência artística”. Criação do Conselho para a Criação Artística, o qual será co-presidido pelo próprio PR e pelo titular da pasta da Cultura;
3. Mais cem milhões de Euros anuais para o orçamento da Cultura;
4. Lei relativa a Criação e Internet (luta contra a pirataria).
Uma tal investida faz recordar os fecundos tempos de Mitterand (e Jack Lang, claro). Mas, sobretudo, esta aposta do presidente Sarkozy constitui um excelente exemplo a ter em conta.
Para a notícia, aqui.

domingo, janeiro 04, 2009

Vilnius e Linz com a Cultura


Em 2009, a cidade austríaca de Linz e a cidade-capital da Lituânia, Vilnius, são as capitais europeias da Cultura.
Sobre este assunto debruça-se a Deutsche Welle,
aqui.