domingo, agosto 31, 2008

Furacão




O furacão Gustav atingiu forte e feio as Caraíbas. E segue ainda a sua marcha. Pelas bandas de New Orleans (mais de 239 mil residentes), quando se completam agora três anos depois de Katrina, as pessoas estão a braços com uma nova evacuação. E é o próprio Mayor C. Ray Nagin quem avisa: “este é mais perigoso”.

Aniversariantes

Vitim é hoje aniversariante. Ontem foi a Avó Gaída. Aquele abraço para ambos.

sexta-feira, agosto 29, 2008

It´s about you

Para a massa humana reunida no extraordinário cenário do Invesco Field, em Denver, e os milhões que, aglomerados em diversos pontos dos Estados Unidos ou espalhados pelo mundo, pudemos seguir a formidável prestação de Barack Obama, creio legítimo ter como comum o sentimento de que, com efeito, este é “um momento único”. Basta ter presente a confiança contagiante e a força interior com que o candidato democrata pronunciou o seu discurso. Um discurso denso, compactado, absolutamente eficaz, tocando nos pontos em que interessava tocar. Uma peça notável. Histórica, para todos os efeitos.
Tenho por marcante o desprendimento com que Obama assegura aos seus compatriotas: “This election it´s about you”. Justamente porque as próximas eleições são “our chance to keep America´s dream alive”. Ou seja, como ele concluiu o seu discurso, “we cannot turn back!”.
Fechada a Convenção, segue-se agora a dura luta cujo desfecho será na Big Tuesday, 4 de Novembro.

... e de Lincoln

Tal como Hillary e Bill Clinton, também Al Gore enriqueceu a Convenção Democrata com mais um belíssimo exemplo do bom discurso político. E é ele quem compara Barack Obama a Abraham Lincoln, recordando como este possuía “uma poderosa capacidade para, num tempo de impasse, inspirar confiança no futuro”. E desafia assim: “Em 2008, uma vez mais, encontramo-nos no termo de uma era com um mandato da história para lançar uma nova largada”.

quinta-feira, agosto 28, 2008

Sob o signo de MLK

É feliz e é de um simbolismo fortíssimo que Barack Obama faça (dentro de sensivelmente quatro horas) o seu discurso de aceitação da nomeação como o candidato democrata ao pleito eleitoral de Novembro próximo precisamente quando se completam 45 anos sobre a data em que Martin Luther King proferiu o celebérrimo “I have a dream”. A nomeação de Obama é um marco magnífico nessa luta que vem de longe, de muito longe. Revela-se, pois, perfeitamente compreensível a emoção com que muitas figuras de proa do movimento pelos direitos civis, e não apenas essas, se referem a este momento único que a América está a viver. E o mundo com ela.

Mantenhas para Nelson Évora

Por aquilo que tenho podido saber do percurso de Paulo Mendes, ele está plenamente legitimado para sublinhar, como, aliás, ele muito bem o faz aqui, o valor intercultural da Medalha de Ouro ganha, em Pequim, por Nelson Évora.

Penso que Cabo Verde devia regozijar-se com essa Medalha, sem nenhum tipo de acanhamento. Antes com muito orgulho. Os feitos dos crioulos por esse mundo fora são feitos desta Nação Global de que fazemos parte. E, felizmente, há cada vez mais crioulos a atingir patamares de nomeada nos países para os quais os seus pais ou avós foram obrigados a emigrar. E assim é, e continuará a ser, em domínios tantos que não apenas o dos Desportos.

Bom seria que tivessemos condições para que todos os nossos atletas (querendo! Pois que há aqueles que não o querem, e não podemos ficar melindrados por causa desse seu exercício de liberdade) fossem às arenas desportivas internacionais sob a bandeira nacional. Não as temos. Ainda. Tê-las-emos, um dia. Encurtar a distância que nos separa dessa meta colectiva deveria merecer o empenhamento de todos. Pessoalmente, tenho uma avaliação muito crítica das vacilações relativamente a impulsos de fundo neste domínio, mas este não é o contexto apropriado para exprimi-las.

Nelson Évora é um héroi português. É, igualmente, um héroi crioulo. Deve ser celebrado como tal. E não me consta que alguma vez ele tenha negado a herança cultural dos seus maiores. Em Cabo Verde, já devíamos ter aprendido que as bandeiras podem ser contingenciais ou precárias… Digo isto com a mesma convicção com que tenho defendido que, nós que sempre fomos uma Nação de partidas, devemos aprender a ser uma nação de bom acolhimento para aqueles que chegam à soleira das nossas ilhas. É o outro lado desta tolerância de que nem sempre damos devida prova.

quarta-feira, agosto 27, 2008

History in the making

Amanhã, 28 de Agosto, Barack Obama proferirá o seu discurso de aceitação da nomeação como candidato democrata às eleições presidenciais de Novembro próximo. Um momento a não perder, haja o que houver.

OBAMA por aclamação

Há poucos minutos: por sugestão de Hillary Clinton, a Convenção Nacional Democrata suspendeu o roll call vote e, por aclamação, elegeu BARACK OBAMA como o candidato democrata às próximas eleições presidenciais. Este momento é tão histórico quanto emocionante.
E, convenhamos, a Convenção de Denver tem sido uma autêntica lição.

The rain effect


No blog Son di Santiagu estão belíssimas fotos que o Djinho trouxe la di fora, provas fresquinhas do formidável efeito das chuvas. Peço-lhe por empréstimo duas dessas fotos.

terça-feira, agosto 26, 2008

Ted Kennedy: a passagem de testemunho

O discurso do Senador Edward Kennedy na Convenção Nacional dos Democratas, em Denver, é, a todos os títulos, marcante. A responsabilidade política, a elevação, a coragem e a confiança no futuro são os tons dominantes nesta tão curta quanto substancial intervenção deste veterano que, assim, passa em testemunho a Barack Obama "a causa" da sua vida.

video

domingo, agosto 24, 2008

"O Olho do Século"

Em homenagem a Henri Cartier Bresson que, fosse vivo, teria completado cem anos no passado dia 22, a Fundação que leva o nome dele organiza, a partir de Setembro, um vasto programa, o qual arranca, já no dia 10, com a exposição “Cartier Bresson–Walker Evans: Fotografar a América (1929-1947)”. A exposição compreende 96 obras e o respectivo catálogo, de 192 páginas, conta com um ensaio de Jean-François Chevrier.

“C`est l`Amérique qui m`a fait”, reconhecia o próprio Cartier Bresson. Ele faleceu em 2004, na sua terra natal, a França. É considerado o pai do fotojornalismo. Para a fotografia perfeita, era fundamental procurar o momento decisivo, dizia ele. “Não há nada neste mundo que não tenha o seu momento decisivo”. Para que não houvesse dúvidas: “Opps! The moment! Once you miss it, it is gone forever.”

Nelson, Maratonista

O atleta cabo-verdiano Nelson Cruz concluiu a Maratona na 48ª posição e com o tempo de 2h23:47.
Ou seja, pouco mais de 17m após Wenjiru, o recordista queniano, e sensivelmente 18m antes do último dos maratonistas, o japonês Atsushi Sato. Um olhar pela tabela dá como digna a prestação de Cruz, ele que já foi Medalha de Ouro nos Jogos da Lusofonia, em Macau, 2006.

A Olímpica do Zimbabwe

Kirsty Coventry, atleta do Zimbabwe, de 24 anos de idade, voltou a subir à glória olímpica ao conquistar, em Pequim, quatro medalhas em Natação: uma de ouro e três de prata. Além de ter fixado um novo record mundial: 2m05s24, nos 200 metros de costas.
O nome dela tem de ser necessariamente sublinhado quando se lança um olhar sobre a prestação africana nos Jogos de Pequim.
Nos Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, Coventry tinha conseguido uma medalha de ouro, uma de prata e outra de bronze.

Medalhas para a África

Dos países africanos presentes nos Jogos Olímpicos de Pequim, o Quénia lidera a conquista de medalhas, com um total de 14, todas em Atletismo(1): 5 de Ouro, 5 de Prata e 4 de Bronze.

Em segundo lugar está a Etiópia, com 7 medalhas também pelo Atletismo: 3 de Ouro, 1 de Prata e 2 de Bronze.

Outros que alcançaram Ouro: os Camarões (uma, pelo Triplo Salto, Mulheres), o Zimbabwe (uma, na Natação, Mulheres) e a Tunísia (uma, na Natação, Homens).

Afora essa de ouro, o Zimbabwe conquistou mais três medalhas de prata, igualmente em natação, perfazendo quatro.

Também a Nigéria amealhou um total de quatro medalhas: 1 de Prata (no Futebol) e três de Bronze (2 no Atletismo e 1 no Taekwondo).

Os atletas de Marrocos regressam a casa com duas medalhas: 1 de prata, na Maratona masculina, e 1 de bronze pelos 800 metros/Mulheres.

A equipa da Argélia conseguiu 1 de prata e outra de bronze, sempre pelo Judo.

Com apenas uma medalha: África do Sul (prata, salto em cumprimento, homens); Sudão (prata, Atletismo, 800M, Homens); Maurícias ( bronze, Boxe); Togo ( bronze, Canoagem/Kayak); Egipto (bronze, Judo).

Num total geral de 40 medalhas para o continente, 17 foram ganhas por mulheres.

(1) Pelo número de medalhas arrecadadas nesta modalidade (o Atletismo), o Quénia é a terceira potência olímpica, logo a seguir aos Estados Unidos (23 medalhas, sendo 7 de ouro) e à Federação da Rússia (18, sendo 6 de ouro). Nos quarto e quinto lugares, estão a Jamaica (6 em 11) e a Etiópia (4 em 7), respectivamente.

Wanjiru

Samuel Wanjiru, de 21 anos, vence a Maratona masculina (42.15Kms) e fixa um novo record nos JO: 2h06m32s. É a primeira Medalha de Ouro olímpica para o Quénia, nesta modalidade.
O marroquino Jaouah Gharib (duas vezes campeão mundial) e Tsegay Kebede, da Etiópia, conseguiram a prata e o bronze, respectivamente, fazendo assim do podium da Maratona um lugar africano.

sábado, agosto 23, 2008

Bala

Um abraço ao Inácio, hoje aniversariante.

Biden com Obama

Joseph Biden, de 65 anos, Senador por Delaware (desde 1972) e um veterano da política americana, é o escolhido de Barack Obama para candidato a Vice-Presidente. Escolha bem avisada, sobretudo tendo em conta a longa experiência deste que é, aliás, presidente do poderoso Comité de Relações Externas do Senado. Do lado dos Democratas, Biden é porventura a voz mais autorizada em matéria de política internacional. Na síntese do New York Times, ele é uma “leading foreign policy authority”. Fechado o ticket, a corrida presidencial de Obama entrará na rampa decisiva a partir da Convenção Democrata, a qual arranca na próxima Segunda-Feira, 25, em Denver. A não perder: as noites de 27 e 28.

sexta-feira, agosto 22, 2008

Migração de talentos olímpicos

De mercenarismo olímpico fala Jeune Afrique, referindo-se a atletas africanos que, a mais de terem feito cobrir os seus talentos com bandeiras de outros países, de molde a poderem chegar aos Jogos Olímpicos de Pequim, foram ao ponto de mudar os seus próprios nomes. Como quer que seja, a expressão é forte e certamente que não tem em conta as realidades nacionais que, objectivamente, empurram para essa «opção» todos esses jovens plenos de aptidão atlética e de esperança. Naturalmente que esta como que fuga de talentos desportivos não é recente nem é localizado. Porventura hoje saltam à vista, primeiro, os montantes envolvidos e, segundo, as longínquas e exóticas bandeiras que agora oferecem o seu generoso abrigo. Um negócio das arábias, dir-se-ia.
De um outro ângulo, mais positivo, e numa perspectiva mais ampla, importa perceber e enaltecer o segredo que faz uma small island nation como a Jamaica ascender a tão forte glória olímpica. E com a prata (o ouro, melhor) da casa!...

quinta-feira, agosto 21, 2008

quarta-feira, agosto 20, 2008

Bolt, ouro de novo

O jamaicano Usain Bolt volta a fazer história ao ganhar uma nova Medalha de Ouro, desta vez nos 200 metros, ainda por cima estabelecendo um novo record mundial: 19:30.
A anterior marca, 19:32, havia sido fixada por Michael Johnson, nos Jogos de Atlanta.

terça-feira, agosto 19, 2008

Destino de Bai

0. Aproveitando a mala de viagem da Alcy e do Marzim Matos, enviou-me agora a Cristina Pereira um exemplar de Destino de BaiAntologia de Poesia Inédita Cabo-Verdiana. Registo que este exemplar chega-me com os autográfos do antologiador, Francisco Fontes, e de três dos autores antologiados, nomeadamente Paula Vasconcelos, José Maria Neves e António de Névada. Saravá!

1. Trata-se de uma obra a percorrer com vagar, naturalmente. Neste ensejo, quero apenas anotar, muito brevemente, o seguinte:

1.1 a experiência das antologias não é muito comum entre nós, o que torna ainda mais louvável o trabalho apaixonado e fraterno que têm sido desenvolvido por Francisco Fontes. Antes, com o volume dedicado à novíssima produção ficcional, e, agora, com esta recolha de poemas. Francisco Fontes é plenamente merecedor do nosso reconhecimento. Na modestíssima parte que me cabe, não lha regateio.

1.2 Esta antologia, em particular, confirma (e neste momento tenho em conta apenas o critério do volume de textos recolhidos) que a poesia está bem viva entre nós. O mesmo é dizer, estamos perante material para largos momentos de leitura. Prazenteira, como me permito antecipar. Ou não fossem nossos conhecidos muitos dos autores que concorrem com textos seus!...

1.3 Esta antologia é, no plano gráfico, um produto de bom gosto. A começar pela capa que, como pude dizer num e-mail a Francisco Fontes, é soberba. Falo igualmente das ilustrações, ou seja, dos desenhos de Elisa Schneble.

1.4 Sinto que, ao concluir a leitura desta obra, estarei a confirmar esta sensação, pois que é apenas isto que tenho nesta fase, de que esta antologia é must para quem tenha que ver com a literatura cabo-verdiana – por gosto ou por dever de ofício.

2. Muito bem esculpida esta frase de José Maria Neves (no prefácio): “Mais fonemas na construção da modernidade cabo-verdiana”.

segunda-feira, agosto 18, 2008

Lágrimas


sofre


e também o treinador de Liu Xiang
- o atleta chinês que desistiu de correr
(e assim defender o título de campeão)
os 11o metros barreiras.

O valor da confiança

De leitura agradável é esta entrevista com o Senhor Josep Coll, Delegado da União Europeia em Cabo Verde.

domingo, agosto 17, 2008

Bolt, a rapidez

Usain Bolt é a Medalha de Ouro nos 100 metros, erguendo lá bem no alto as cores da Jamaica. Mais: não satisfeito com o record mundial (9.72) que ele próprio havia fixado a 31 de Maio, em New York, Bolt “afinou-o” agora em 9.69. E esse pormenor que captou os olhos do mundo: ele fez a prova com os atacadores de um dos ténis desapertados!... Desse jovem jamaicano de 21 anos faz Darvis Patton (atleta americano que também esteve nas finais dos 100 metros) esta interessante apreciação: “He's just having fun. It's everyone trying to catch up to Usain Bolt. Even his own countrymen are trying to catch up to him. He's in a league of his own."

Phelps, a lenda

Sempre conseguiu: oito Medalhas de Ouro! E é a lenda que emerge da água. Ou, como diz Mark Spitz, isto é “épico”.

Falou e disse

“Costumo dizer que os portugueses são necessariamente mais ciosos da língua do que os povos da colonização e da diáspora, que criaram variações da língua e chegaram quase a produzir outras línguas. Como dizia uma canção brasileira, «o brasileiro já passou para lá do português», nós no Brasil já somos factores dinâmicos de transformação da língua portuguesa, por isso não nos preocupamos tanto com a língua no sentido das suas matrizes, dos seus elementos básicos e históricos. As línguas são organismos vivos, corpos dinâmicos que têm sistemas de absorção e de eliminação e que estão em constante transformação. Os acordos ortográficos deveriam ser perenes e estar submetidos a uma permanente vigília da língua, através de um conselho permanente, com ampla representação de especialistas e também de pessoas comuns. É preciso que todos nós estejamos atentos aos impactos das novas tecnologias na língua, como a Internet. Essa atenção não pode ser dada simplesmente sentado muito formalmente e circunspectamente em torno das mesas. É preciso que as considerações que façamos sobre as línguas sejam leves. A língua é uma coisa séria, mas também não é. A língua é tudo, é todo o arsenal de meios para a comunicação. A língua é muito mais do que uma simples escrita, do que uma maneira de falar. A língua é uma coisa muito grande, muito ampla. A língua inclui o próprio silêncio.”
Gilberto Gil
em entrevista ao Expresso (Suplemento Actual), 15 de Agosto de 2008.

sábado, agosto 16, 2008

Caymmi

Dorival Caymmi, o lendário músico brasileiro, faleceu hoje, no Rio de Janeiro. Contava 94 anos de idade. No juízo de Chico Buarque, ele era um “artista fundamental”. Por sua vez, o Presidente Lula publicou um comunicado em que considera Caymmi “um dos fundadores da música popular brasileira” e que a música dele “é uma completa tradução da Bahia”.

Na busca do bom som

Preparar a música para o blog é assim um exercício de equílibrio que se vai fazendo. Ou tentando fazer. É um work in progress. A grelha que hoje instalo é isso mesmo, sendo certo que se trata de algo que me tem dado imenso gosto. Pois que seria da gente sem a música?!
Como quer que seja, conto poder avançar com uma playlist só com produções di tera. Mais daqui a algum tempinho. Talvez, e talvez apenas, isto deva ser um tópico a merecer acerto dentro da blogosfera crioula: como ajudar a divulgar a nossa música? Ao fim e ao cabo, como contribuir para que ela seja escutada por cada vez mais gente. Seria de não subestimar as blogosféricas possibilidades.
Na foto: Celina Pereira. Ela é uma das Ladies cujas vozes escutamos cá em casa. E assim vai agora aquele abraço amigo.

Revisão

Um filme que vai saber bem rever neste fim de semana de chuva morrinhenta.

Sorte caprina 2

Estas já têm a coolness das ilhas.
Foto do Dr. B. von Klot, 1999.

Sorte caprina





Lá bem nas funduras da Floresta Negra, não lhes resta pachorra para comer jornais. São atracção turística.

quarta-feira, agosto 13, 2008

Newman

A notícia é triste: Paul Newman, uma das figuras míticas do cinema de todos os tempos, enfrenta um terrível combate contra a doença, um cancro em fase terminal. Resta-lhe pouco tempo de vida e ele já terá exprimido à família o desejo de que os seus últimos momentos sejam em casa. E isto até parece enredo de um filme. Assim um Butch Cassidy a enfrentar, desta vez só, um cerco implacável.
Quem aprendeu a gostar do cinema naqueles tempos de antigamente em que não havia TV, nem internet, nem movie downloads e outras modernidades que tais (mas havia salas de cinema!...), certamente que aprendeu a apreciar, indelevelmente, gente da craveira de um Newman. Ele que, aliás, foi atravessando, com igual autoridade, várias etapas da história do cinema. Tão diferentes uns dos outros os filmes que protagonizou. Julgo fortíssima a onda de solidariedade e gratidão que esta triste notícia suscita por esse mundo fora.
Imagem: Newman num take do filme O Veredicto, de Sidney Lumet, 1982.

Café Margoso

Parabéns a João Branco e ao seu Café Margoso, reputado estabelecimento blogosférico que acaba de ultrapassar o magnífico marco das 25.000 visitas. Como bem promete o João, vamos continuar a testemunhar o mesmo nível e ritmo de qualidade e diversificação, garantias mais do que suficientes para a fidelidade da clientela. E o prazer de uma bica bem tirada!...
Oxalá eu tenha a sorte de estar no Mindelo aí por volta de 27 de Dezembro. Só espero não me aconteça o mesmo que ao Djinho Barbosa e eu dê logo de caras com o Café. Aliás, penso que bem andarão as Senhoras e os Senhores das toponímias no dia em que votarem por estabelecer a Travessa do Café Margoso. Seria uma excelente homenagem a este novo espírito dos tempos que o Café tão bem representa.

Na Floresta Negra






terça-feira, agosto 12, 2008

O Senhor da Água

Michael Phelps é, de facto, one of a kind. Aos 23 anos de idade, já está perfilado, com nove Medalhas de Ouro, na gloriosa fileira de um Carl Lewis e de um Mark Spitz. Mais: nestes Jogos Olímpicos de Pequim, já estabeleceu quatro novos records mundiais. E ainda faltam mais braçadas. Tudo indica que Phelps conquistará mais ouro e poderá, assim, ultrapassar a mítica fasquia de Spitz (sete Medalhas de Ouro nas Olimpíadas de 1972). Ou seja, falta-lhe “pouco” para se tornar no maior olímpico de sempre...

Agnelo y livru di Danny Spínola

De Agnelo A. Montrond, colega nos tempos idos do Liceu "Domingos Ramos", chega-me o texto que agora, com todo o gosto, insiro no blog. É a primeira vez que tal acontece neste espaço e, confesso, agrada-me a ideia de poder vir a «postar» textos de outros amigos. Sempre, claro está, com o respeito devido pela liberdade (de pensar e exprimir) de cada um.

Un “Coup De Foudre” Pa Literatura Kabuverdianu


BROCKTON, USA: É ku spontaniedadi y amor sima un “coup de foudre”; sima un “love at first sight”; sima un “amor à primeira vista” pa literatura kabuverdianu, ki dja podu altu; más altu ki própi vulkon di Fogu, ki N abrasa es kauza justa y N ta da nha mudéstu kontributu, y oji, ku es textu li. Di es viaji, N ka sa ta fala nén di pruméru livru di Moisés, nén di últimas pájinas di Apokalípsi di José A. Lopes, má N sa ta rifiri a kel tardinha di txuba di literatura di onti dia 5 di Agostu di 2008, na kel aprizentason di más un trabadju di algen ki ten stadu ta faze un ixsilenti trabadju pa literatura kabuverdianu. Algen ki é un di kes figura di proa na nos literatura. Algen ki pensa, xinti, inspira, y panha Kriolu y el po-l na livru. Algen ki panha Kriolu y el po-l na móntra di biblioteka. Algen ki panha Kriolu y el bisti-l fatu ku gravata di puéta, ki finka pé na txon di kes nos dés ilhas y reivindika nos identidadi. Es puéta ki tanbe é pintor y un artista multifasetadu é Daniel Euricles Rodrigues Spínola, más konxedu pa Dany Spinola, ki nasi na Rubera da Barka, konselhu y fregezia di Santa Katarina, na ilha di Santiagu. El faze kursu di Língua y Literatura Portuges na Skóla di Formason di Profesoris di Insinu Sekundáriu na Praia, y dipôs el faze se Lisensiatura na Língua y Kultura Portugês na Fakuldadi di Létras di Universidadi di Lisboa.

Dany é un kabuverdianu sínplis, má ki ta ingrandese-nu nos tudu ku se sinplisidadi di algen ki ta enkara kultura, literatura, y arti en jeral komu un xpasu kada bês más grandi y abranjenti na nos bida. Keli ta konfirma faktu ki Kabu Verdi sta na se muméntu altu na produson di óbras literáriu. Dany é puéta ki é kapas di fazi mundu entra na Kabu Verdi pa porton di nos ilha, bunbu-l y lebal-l ti kaza di puéta nos amigu y kuléga di kavalgadas na Liseu Domingos Ramos, Vadinhu Velhinho, ki di sertéza ta tranka-l dentu kaza y konbersa ku el sen rafodju, sobri nos identidadi, nos puétas, nos literatura, nos lingua, nos prugrésu, y nos morabéza. Y óras ki N ta limia nomi di Vadinhu, N ka podi fika sen rifiri a puéta Filinto Elisio Correia e Silva, autor di “Do Lado De Cá Da Rosa” y di más obras di vultu na literatura kabuverdianu, y nen N ka podi omiti nomis di más kulégas di kel famozu grupu “Os Cardeais” ki nu tinha na Sal na anus 90: Jaime Schofield di ASA y ki oji é advogadu; nha parenti y amigu ki N ta txomaba di “nha primu” Hugo Rodrigues ki na altura ta trabadjaba na South African Airways, y Eng. Alberto Magno Gomes di ASA, kunpanheru Betinhu, di óras sértu y dizinsértu, di luta y labuta, na aeroportu y na Ferradura.

Si Vadinhu segredaba ku Mundu el ta flaba el ma Dany Spinola ta skrebi ku ténpra. El ta flaba el ma kume djagasida insós y sen modju podi ser más duru ki ratxa pédra laxidu. Y el ta flaba El dentu di se orédja ma un textu sen modju é mesmu kuza. Ma ku modju kuzas dja é otu.

Sima ki Dany Spinola obi kel segredu fiktísiu di puéta ku Mundu, el skrebi sénpri ku modju. Y é pur isu ki se skrita é sabi. Gentis, skrebi ben y kurretamenti é un kuza. Má skrebi ku ténpra y modju é otu kuza. Nha amigu José A. Lopes, menbru di asosiasãu di skritoris kabuverdianu, komu aprezentador na kel noti, papia di kes ténpra y modju ki Dany poi na se sugundu romansi: Os Avatares das Ilhas. Kel livru ten 300 pájinas y el sta divididu en 3 partis sima José A. Lopes enfatiza na se aprezentason.

Kel livru la é própi sabi pa lé. É un frutu maduru ki árvori di literatura kabuverdianu mudérnu pari. Es frutu é xeiu di arti, el ten sabor di kriatividadi y di imajinason, y el ten perfumi di nos identidadi. Sabedoria popular ta fla na Kriolu: “Kuza sabi ta kaba faxi. E ta kumedu divagar”. Pur isu, nu ta rikumenda tudu algen pa adkiri un izenplar y le-l divagar, sen presa.

Si algen pergunta Dany modi ki ta skrebedu un romansi, ó modi ki el ta inspira pa skrebe puezias, N sabi ma se rispósta ta ser ó un livru ó un puezia riba di kes ki dja-l tene publikadu sima: “Lágrimas de Bronze”, ficção, EA, Praia – 1991 (3ª edição – 2006); “Na Kantar di Sol”, poesia, EA, Praia – 1991; “Adon y Eva”, poemas, ICLD, Praia – 1999; “Infinito Delírio”, poemas, IBNL, Praia – 2002; “Evocações”, ensaios, IBNL, Praia – 2004; “Vagens de Sol”, poemas, IBNL – 2005; “Lagoa Gemia”, contos em crioulo, Spleen-edições

Ser xkritor oji, na es mundu di informason, teknolojia é mutu más fásil ki na kel ténpu ki péna ki éra kanéta. Y nu sta orgulhozu di tudu kes bons izénplus di exkritoris di vultu ki dja poi Kabu Verdi la riba. Exkritor Dany Spinola é un di kes. Y já ki dja el abituanu ki óbras tenpradu y ku modju, N ta spéra ma se izénplu ta sigidu …

Agnelo A. Montrond